EXCLUSIVO – A estratégia de diversificação adotada pela Porto nos últimos anos mostra resultados concretos na composição do seu desempenho operacional. Dados apresentados pela companhia indicam que cerca de metade do resultado já vem das verticais de saúde, banco e serviços, um contraste relevante em relação ao cenário de uma década atrás, quando o seguro de automóveis respondia por quase 80% da operação.
A mudança reflete uma decisão estratégica tomada há cerca de seis anos, com a reorganização da companhia em quatro verticais de negócios, cada uma com governança própria, estrutura financeira dedicada e lideranças específicas. “O automóvel segue crescendo, mas hoje representa menos de 30% do resultado. Isso traz robustez para atravessar ciclos econômicos e reduz a volatilidade típica de um único ramo”, destacou Paulo Kakinoff, CEO da Porto.
Um dos motores dessa transformação é o avanço dos seguros de vida e saúde, segmentos ainda considerados subpenetrados no Brasil. Enquanto a média internacional aponta participação entre 4% e 5% do PIB em seguros de vida, no mercado brasileiro esse percentual gira em torno de 0,6%. “Não há uma razão estrutural para esse distanciamento. Existe uma demanda latente e crescente, especialmente à medida que os produtos se tornam mais simples, acessíveis e adaptados à realidade local”, afirmou o executivo.
No segmento de saúde suplementar, apesar de o mercado nacional ter permanecido relativamente estável na última década, em torno de 50 milhões de beneficiários, a Porto vem ampliando sua base. Somados os clientes de saúde e odontologia, a companhia caminha para atingir a marca de 2 milhões de segurados. A aposta passa por planos regionalizados e customizados, voltados inclusive para pequenas e médias empresas, com tíquetes mais acessíveis. Um grande impulsionador foi o produto Porto Bairro, que utiliza recursos locais para o atendimento dos segurados.
Outro pilar relevante dessa diversificação é o braço financeiro. O banco da Porto tem no consórcio, na fiança locatícia e no cartão de crédito seus principais produtos, com destaque para o consórcio como instrumento de planejamento financeiro e acesso a bens de maior valor. “Em um país com elevada informalidade, o consórcio se mostra uma alternativa viável, com custo total significativamente inferior ao financiamento tradicional, em aproximadamente 15%”, explicou a companhia.
A ampliação do portfólio por cliente também aparece como indicador estratégico. Com cerca de 9 milhões de clientes ativos, a média de produtos e serviços por consumidor subiu de 1,7 para 1,9, reforçando a lógica de ecossistema. “O uso intensivo de dados e inteligência artificial tem permitido ofertas mais assertivas, alinhadas ao perfil, região e momento de vida de cada cliente”, conforme explicou Kakinoff.
Já no seguro auto, apesar de a frota segurada ainda apresentar baixa penetração no país, a expectativa é de crescimento moderado, acompanhando a recuperação da indústria automobilística. A projeção do setor, via CNseg, aponta expansão próxima a 6%, impulsionada, em parte, pela perspectiva de redução da taxa básica de juros.
Para os próximos anos, a Porto sinaliza que seguirá aprofundando a relevância das verticais de saúde, banco e serviços, sem perder o ritmo de crescimento do portfólio tradicional. “O que era uma tese virou execução e agora colhemos os frutos da maturação desses investimentos”, concluiu o CEO.
Resultados 2025
A Porto encerrou 2025 com crescimento consistente e lucro líquido recorde de R$ 3,4 bilhões, alta de 28% em relação a 2024. A receita anual da companhia alcançou R$ 41 bilhões, avanço de 12% na comparação anual, impulsionada pelo fortalecimento do ecossistema de negócios do grupo.
A rentabilidade sobre o patrimônio médio (ROAE) foi de 22,7%, expansão de 2,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior. O desempenho foi sustentado pela diversificação das verticais de Saúde, Banco e Serviços, que passaram a responder por 49% do resultado total da companhia, sete pontos percentuais acima de 2024, com retornos individuais superiores a 23%.
No quarto trimestre de 2025, a Porto manteve desempenho positivo. As receitas atingiram R$ 11 bilhões, crescimento de 11% frente ao mesmo período de 2024. O lucro líquido trimestral somou R$ 839 milhões, alta de 25%, enquanto o ROAE ficou em 22,5%.
O resultado financeiro no trimestre foi de R$ 289 milhões, com crescimento de 6%. Já a receita da carteira de aplicações financeiras, gerida pela tesouraria, alcançou R$ 473 milhões, equivalente a 79% do CDI, refletindo o desempenho de títulos indexados à inflação. No período, foi realizada rolagem de carteira de R$ 109 milhões, contribuindo para o aumento das taxas médias e o alongamento do prazo dos títulos.
O índice de eficiência operacional, que relaciona despesas administrativas à receita total, foi de 11,2% no trimestre e de 10,9% no acumulado do ano, melhora de 0,4 ponto percentual em relação a 2024. Este foi o sexto ano consecutivo de evolução nesse indicador.
Desempenho das verticais
No Porto Bank, a receita cresceu 31% no quarto trimestre, alcançando R$ 2,1 bilhões, impulsionada principalmente pelo avanço do consórcio, cartões, financiamentos, empréstimos, capitalização e riscos financeiros. O lucro líquido trimestral do banco foi de R$ 219 milhões, crescimento de 35%.
A Porto Saúde registrou receita de R$ 2,3 bilhões, alta de 23%, com aumento de beneficiários tanto no seguro saúde quanto no segmento odontológico. O lucro do período foi de R$ 170 milhões, crescimento de 22%, enquanto o índice combinado recuou para 89%, refletindo menor sinistralidade.
Na Porto Seguro, as receitas e prêmios totalizaram R$ 5,8 bilhões, alta de 3%, com destaque para os segmentos patrimonial e vida, ambos com crescimento de 13%. No seguro auto, os prêmios permaneceram estáveis, enquanto a frota segurada cresceu 4%. O lucro do trimestre foi de R$ 459 milhões.
A Porto Serviço registrou receita de R$ 663 milhões, crescimento de 3%, com destaque para a expansão dos produtos digitais, que avançaram 38% no quarto trimestre e 73% no acumulado de 2025. O lucro trimestral foi de R$ 84 milhões, alta de 42%.
“Esses números são reflexo da qualidade das soluções e do atendimento oferecidos aos nossos mais de 18 milhões de clientes, que confiam à Porto o que têm de mais importante: sua saúde, suas famílias, economias e patrimônios. Em 2025, celebramos nossos 80 anos com a certeza de que a essência que nos trouxe até aqui é o que vai nos levar adiante”, afirma Paulo Kakinoff, CEO do Grupo Porto.
O balanço financeiro completo está disponível para consulta.
*Kelly Lubiato, com informações da Assessoria de Imprensa
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