EXCLUSIVO – O período de Carnaval concentra maior exposição a furtos e roubos de celulares nos grandes centros urbanos e já integra o planejamento operacional das seguradoras que atuam nesse segmento. Dados internos da Zurich Seguros indicam que os primeiros meses do ano registram volume cerca de 20% superior de acionamentos em comparação à média anual da carteira.
Segundo Carlos Eduardo Silva, superintendente de Parcerias da companhia, o movimento é recorrente. “Historicamente, os primeiros meses do ano concentram maior volume de acionamentos relacionados a roubo e furto de celulares. Estimamos um número cerca de 20% maior de acionamentos em comparação à média anual. Trata-se de um comportamento sazonal já mapeado internamente, que se repete ano a ano”, afirma.
A elevação acompanha o contexto observado em períodos de grande circulação de pessoas. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apontam concentração de furtos e roubos de celulares em vias públicas e áreas com maior aglomeração, dinâmica que tende a se intensificar durante eventos de massa.
Apesar do aumento na frequência, a seguradora informa que não realiza mudanças estruturais específicas para o Carnaval. De acordo com o executivo, a operação já é dimensionada para absorver oscilações ao longo do ano. “Por sermos líderes de mercado no seguro celular, contamos com uma operação estruturada para lidar com grande volume de acionamentos, incluindo as variações sazonais de demanda”, diz Silva.
A jornada de sinistro é majoritariamente digital, desde o aviso até o envio de documentação. Em determinados casos, a análise ocorre com uso de inteligência artificial. “Se o segurado dispuser dos documentos e informações necessárias, como boletim de ocorrência e IMEI, a indenização pode ser feita em poucos minutos”, explica.
Atualmente, mais de 50% dos sinistros da companhia são regulados e pagos sem intervenção humana, especialmente nas linhas pessoais. Segundo Silva, o modelo permite absorver picos de volume sem alteração relevante na experiência do cliente, uma vez que os processos são padronizados e apoiados por tecnologia.
Densidade urbana
A distribuição dos acionamentos segue padrão semelhante ao dos indicadores públicos de segurança. Capitais e grandes centros urbanos concentram maior incidência de ocorrências, especialmente aqueles com maior densidade populacional e forte tradição carnavalesca. “O comportamento observado acompanha a lógica de mercado, com maior incidência de acionamentos em estados e capitais com grande concentração populacional e forte tradição de eventos de rua”, explica o executivo.
A combinação entre circulação ampliada de pessoas, mobilidade intensa e permanência prolongada em vias públicas cria ambiente de maior exposição para os aparelhos, cenário que tende a pressionar a frequência de sinistros no período.
Em relação aos prazos de análise e liquidação, a companhia informa que o fluxo segue os parâmetros operacionais padrão. “A eventual variação de prazo tende a estar mais associada às características específicas de cada ocorrência, como a completude da documentação enviada e a necessidade de validações adicionais, do que ao período sazonal em si”, diz Silva.
A análise é conduzida conforme critérios técnicos previamente estabelecidos e respeita as condições contratuais de cada apólice. O uso de automação, análise de dados e plataformas digitais integra o processo de regulação.
Além da inteligência artificial aplicada à análise documental, a seguradora utiliza ferramentas de dados para apoiar a tomada de decisão e o acompanhamento dos casos. O acionamento pode ser realizado por canais digitais, incluindo assistente virtual e WhatsApp.
Contratação cresce nos canais online
O aumento da percepção de risco também se reflete na procura pelo produto. A companhia observa maior volume de contratações do seguro celular nos canais online nas semanas que antecedem o Carnaval. Nos canais físicos, o comportamento segue padrão mais estável, geralmente associado à aquisição de um novo aparelho. “Nos canais digitais há aumento mensurável na adesão ao produto nas semanas anteriores à festa. O Carnaval contribui para maior conscientização sobre riscos”, afirma o executivo.
Embora a frequência de acionamentos apresente variação sazonal, não há indicação de mudança estrutural na severidade das ocorrências. O valor das indenizações permanece vinculado às características do aparelho segurado e às condições contratuais da apólice. “O valor da indenização é apurado com base nas condições contratuais e no perfil do equipamento envolvido, independentemente da época do ano”, diz Silva.
Para 2026, a expectativa é de manutenção do padrão histórico, com oscilações condicionadas a fatores externos, como contexto urbano, mobilidade e políticas de segurança pública. “O histórico recente indica comportamento sazonal nos primeiros meses do ano, especialmente em períodos de maior circulação de pessoas. A intensidade dessa variação pode oscilar de acordo com fatores externos”, conclui.
Nicholas Godoy, de São Paulo.
The post CARNAVAL: frequência de sinistros sobe 20% appeared first on Revista Apólice.
]]>