O que diferencia um corretor de seguros que apenas vende de um empresário que constrói uma corretora escalável? Essa foi a pergunta central da palestra “Corretor CEO – Liderança, Branding, Vendas e Governança para Corretoras de Seguros”, apresentada por Leandro Giroldo, CEO e sócio-fundador da Lemmo Corretora de Seguros, durante a abertura do 6º Intercâmbio para Corretores, realizado nos dias 9 e 10 de abril, em Santo André (SP).
Na apresentação, Giroldo compartilhou sua trajetória de mais de duas décadas no mercado de seguros e explicou como a mudança de mentalidade – de vendedor para gestor – foi determinante para o crescimento da empresa. “Por muito tempo eu fui apenas um vendedor dentro da minha própria empresa. Eu recebia comissão como qualquer corretor e achava que aquilo era normal. Mas chegou um momento em que eu percebi que precisava parar de pensar como vendedor e começar a pensar como empresário”, afirmou.
Corretor há 24 anos, Giroldo fundou a Lemmo Corretora em 2009. No entanto, segundo ele, a transformação da empresa só começou quando passou a investir em formação em gestão e liderança. “Eu comecei a estudar gestão de corretoras e desenvolvimento pessoal. E percebi uma coisa importante: o seu nível de sucesso raramente excede o seu nível de desenvolvimento pessoal. Quando você evolui como pessoa, a empresa evolui junto”, explicou.
Hoje a corretora possui uma estrutura significativamente maior do que nos primeiros anos de operação. “Quando comprei a parte do meu sócio, em 2020, a empresa tinha quatro funcionários e faturava cerca de R$ 800 mil por ano. Hoje somos mais de 40 pessoas e chegamos a aproximadamente R$ 8 milhões de faturamento anual”, relatou.
O papel do corretor como líder
Durante a palestra, Giroldo destacou que um dos maiores obstáculos ao crescimento das corretoras é o excesso de centralização das decisões. Segundo ele, muitos corretores tentam executar todas as tarefas da empresa – vendas, financeiro, atendimento e operação – o que impede a estruturação do negócio. “O corretor costuma achar que precisa saber fazer tudo: vender, emitir apólice, cuidar do financeiro, resolver problema operacional. Mas isso não é liderança. O papel do líder é fazer pessoas inteligentes trabalharem juntas.”
Para ele, a principal mudança começa quando o profissional passa a fazer uma pergunta simples dentro da empresa: “Uma das perguntas mais importantes que um CEO pode fazer é: quem é a melhor pessoa para fazer isso por mim?”. Esse processo, segundo Giroldo, exige superar barreiras culturais e até emocionais. “Muitas vezes o nosso ego insiste que precisamos fazer tudo. Mas o nosso potencial diz o contrário: que precisamos delegar.”
Organização financeira é o primeiro passo
Outro ponto destacado na palestra foi a organização financeira das corretoras. Para o executivo, um erro comum entre corretores é misturar as finanças pessoais com as da empresa.
“O primeiro passo para o corretor que quer crescer é separar a conta física da jurídica. Parece simples, mas muita gente não faz isso. E sem essa separação você nunca sabe de verdade quanto ganha e quanto a empresa tem para investir”, afirmou.
Segundo ele, quando o corretor organiza essa estrutura, passa a ter mais clareza para contratar pessoas, investir em ferramentas e desenvolver novas áreas dentro da empresa. “Quando você sabe o que é seu e o que é da empresa, consegue planejar melhor o crescimento.”
Durante a apresentação, Giroldo também chamou atenção para um aspecto pouco explorado no mercado: o valor patrimonial de uma corretora de seguros.
“Muita gente trabalha décadas vendendo seguros e não percebe que está construindo um patrimônio. Uma corretora estruturada vale dinheiro e pode ser vendida ou transferida”, afirmou.
Segundo ele, compreender esse potencial muda a forma como o corretor enxerga o próprio negócio. “Quando você entende que está construindo um ativo, começa a olhar para gestão, processos e crescimento de forma diferente.”
O conceito de “Corretor CEO”
A palestra também apresentou o conceito “Corretor CEO”, que incentiva profissionais do setor a assumirem um papel mais estratégico na gestão das corretoras. “CEO não é um título de ego. É um cargo, uma função. É assumir a responsabilidade de liderar a empresa e estruturar o crescimento”, explicou.
Segundo Giroldo, essa mudança de mentalidade é essencial para que o corretor consiga sair da lógica de sobrevivência e construir um negócio escalável. “Ninguém quer trabalhar sozinho para sempre. O objetivo é construir uma empresa que funcione, que cresça e que gere valor.”
Para o executivo, uma das perguntas mais importantes que um empresário precisa responder é onde deseja que sua empresa esteja nos próximos anos. “Se você não define onde quer chegar, entra numa guerra diária de vendas sem direção. Planejar o futuro da corretora é o que permite tomar decisões melhores hoje”, afirmou.
A palestra marcou o início da programação do 6º Intercâmbio para Corretoras, realizado nos dias 9 e 10 de abril, que reuniu profissionais do setor para dois dias de imersão em gestão, vendas, tecnologia e desenvolvimento empresarial no mercado de seguros e planos de saúde.
Além da abertura, o encontro apresentou na prática todos os processos que estruturam o funcionamento de uma corretora de seguros, passando por áreas como vendas, gestão financeira, recrutamento, atendimento ao cliente, dados e tecnologia. A programação também incluiu palestras de especialistas reconhecidos no mercado, como Jonathan Souza, diretor de vendas do G4 Educação; Tay Dantas, estrategista de marca; e Ricardo Jordão, palestrante e mentor de vendas, entre outros profissionais do setor.
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