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]]>Rascunhos filosóficos à parte, Apólice tenta entender como efetivamente ela vem impactando o mercado de seguros e suas principais variantes. Nas grandes, médias e pequenas seguradoras, a IA deixou de ser projeto-piloto de inovação e virou rotina de backoffice, como aquele sistema legado que todo mundo xinga, mas ninguém vive sem ele. Prova disso está nos estudos recentes que mostram reduções de 30% a 50% no tempo de processamento de sinistros e de atendimento documental. Isso significa menos pilha de processo em cima da mesa e mais decisão saindo no mesmo dia.
Exemplo prático disso é o Agilitá, um projeto lançado em 2022 pela Generali, ou seja, antes do boom de inteligência artificial do mercado, que combina IA, legal analytics, automação robótica (RPA), legal design e ODR (online dispute resolution) em uma plataforma digital integrada. A iniciativa surgiu em meio à desgastante judicialização que cerca o mercado, reconfigurando e otimizando processos judiciais com uma redução inicial de 72% do tempo médio de tramitação das ações. Não significa, entretanto, que a tecnologia tenha convencido o juiz a decidir mais rapidamente.

“Os números reforçam a magnitude da transformação: redução de R$ 86 milhões em reservas, economia de R$ 4,2 milhões em custos com perícias, aumento de 90% na taxa de acordos, mesmo em cenários desfavoráveis, e uma economia projetada superior a R$ 176 milhões em juros e correção monetária pelo encerramento antecipado das ações. A percepção positiva da marca junto aos clientes também avançou de forma relevante. Sob a ótica ESG, o impacto vai além da eficiência financeira. Ao acelerar a resolução de conflitos judiciais, o projeto contribui para a desjudicialização, apoia a eficiência do Poder Judiciário e gera valor social concreto para os segurados”, revela o Chief Insurance Officer da Generali Brasil, Conrado Gordon.
O próximo passo, como revela o executivo, é integrar IA preditiva, generativa e agentes de IA não para simplesmente automatizar processos, mas para transformar operações tradicionalmente burocráticas em estruturas estratégicas, inteligentes e orientadas à experiência do cliente. “O desafio deixa de ser apenas eficiência. Passa a ser a capacidade real de resolver, personalizar e gerar valor percebido pelo consumidor”, destaca Gordon.
Estudo da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) indica que cerca de 80% delas já utilizam soluções de IA (tanto a tradicional quanto a generativa). A mesma pesquisa mostra que a IA generativa é o grande acelerador recente desses investimentos, com estimativa de R$ 2,3 bilhões em 2025 e R$ 2,6 bilhões em 2026 em iniciativas de IA no setor de seguros no Brasil.
Mas o roteiro não é só de encantamento. O “xis” da questão (ou alerta, como queiram) é apontado por alguns relatórios cujos dados mostram que mais da metade das seguradoras ainda não consegue medir com precisão o retorno dos projetos de IA, tampouco definir claramente quem manda nesse assunto lá dentro. Em vez de redesenhar o processo, muitas empresas colocam a IA em cima do fluxo antigo, o que significa instalar um motor moderno num bonde, que continua preso ao trilho errado.
Apesar desse contexto, como muitos no setor afirmam categoricamente, a IA já entrega ROI (return on investment ou retorno sobre o investimento) concreto em seguros, principalmente em três frentes: automação de sinistros (extração de dados, triagem e decisão), detecção de fraude e eficiência em operações/atendimento e reporting técnico atuarial.

Rodrigo Tabarez, sócio-líder da indústria de seguros na Deloitte, e Jefferson Denti, líder do Deloitte AI Institute, explicam que ainda existe uma diferença importante entre o discurso e a realidade prática dentro das seguradoras. De um lado, dizem os dois consultores, há um avanço consistente na adoção de IA, especialmente com o surgimento da IA generativa, que ampliou significativamente o potencial de automação, análise e interação com clientes. De outro, muitas iniciativas ainda permanecem em estágio de piloto, principalmente porque o principal desafio não está mais na tecnologia em si, mas na capacidade das organizações de estruturar dados, adaptar processos e evoluir seu modelo operacional e de “mindset”. “A nossa experiência recente com seguradoras, somada aos estudos globais da Deloitte, mostra que o setor está entrando em uma nova fase: menos foco em experimentação e mais pressão por captura de valor real, com atenção crescente a governança, risco e escalabilidade”, afirma Tabarez.
O consultor complementa: “A inteligência artificial já entrega ganhos relevantes, mas ainda de forma bastante concentrada em casos com maior escala operacional e volume de dados não estruturados. Em resumo, o ROI já é comprovado, principalmente em eficiência operacional e redução de perdas”, embasa.
CTO da Icatu Seguros, Bernardo Carneiro reconhece esse cenário inicial, porém alvissareiro, sobretudo quando a IA atua sobre processos intensivos em dados, volume e repetição. Isso pode aparecer, por exemplo, como explica o executivo, na triagem e análise de documentos em sinistros, na detecção de fraudes, no apoio à subscrição e no atendimento assistido com redução de tempo, custo e retrabalho. “Acredito também que a próxima fronteira esteja nos agentes autônomos: sistemas capazes de executar fluxos mais completos, consultar bases, cruzar informações, acionar etapas e apoiar decisões com mais autonomia. Mas o ponto crucial é que, no nosso setor, essa autonomia da IA precisa vir acompanhada de governança”, prevê.
No Grupo Bradesco Seguros, por exemplo, a IA já é aplicada na identificação automatizada de avarias veiculares permitindo maior agilidade na análise de danos e reduzindo em até 10% o tempo de devolução dos veículos em casos de sinistro. Outro exemplo da seguradora é o uso de speech analytics com inteligência artificial para análise automatizada de 100% das ligações da central de atendimento, permitindo atuação em tempo real em situações críticas e melhoria contínua da experiência do cliente. “Também utilizamos IA em biometria facial para reembolsos em saúde suplementar, fortalecendo a segurança, reduzindo riscos de fraude e trazendo mais transparência ao processo. Além disso, aplicações em subscrição inteligente e análise documental vêm reduzindo etapas operacionais e ampliando a eficiência dos processos internos”, revela o diretor de Inovação, Digital e Dados do Grupo Bradesco Seguros, José Loureiro.
Na opinião do executivo do Grupo Bradesco, a inteligência artificial já entrega retorno concreto em frentes operacionais estratégicas do setor segurador, especialmente em subscrição, atendimento, prevenção a fraudes e regulação de sinistros. O principal avanço observado, como afirma Loureiro, está na capacidade de reduzir tempo operacional, aumentar a assertividade das análises e melhorar a experiência do cliente.

Bernardo Carneiro aponta três riscos principais da IA Generativa. O primeiro, diz ele, é informacional, já que a IA pode gerar respostas convincentes, mas incorretas, em temas que afetam contratação, cobertura ou orientação ao cliente. Já o segundo é decisório: à medida que esses sistemas passam a apoiar triagem, subscrição e atendimento cresce a exigência de transparência, explicabilidade e revisão humana. E, o terceiro, é de governança, pois o uso de dados pessoais, a dependência de modelos de terceiros e o avanço de agentes mais autônomos tornam rastreabilidade, segurança e responsabilidade questões centrais. “No Brasil, o regulador e todas as entidades estão atentas e em processo de adaptação. Em mercados mais avançados, como a Europa, a supervisão do setor de seguros já discute de forma mais madura temas como viés, explicabilidade, segurança cibernética e supervisão humana. O desafio é construir regras que protejam o consumidor sem engessar aplicações que, quando bem governadas, podem melhorar muito o setor”, analisa.
Para Rodrigo Tabarez, os riscos são claros e estão sendo tratados dentro do arcabouço regulatório brasileiro. Os principais pontos de atenção neste caso são, segundo ele, o viés e discriminação em decisões automatizadas; falta de explicabilidade e de auditabilidade; uso inadequado de dados (LGPD) e possíveis inconsistências em interações automatizadas com clientes. “No Brasil ainda não existe uma regulação específica para IA em seguros, mas de certa forma o uso já está coberto por normas existentes. Por exemplo: a Resolução CNSP 382/2020, que reforça a necessidade de clareza e transparência na relação com o cliente, e a Resolução CNSP 416/2021, que trata diretamente da gestão de riscos e controles internos, incluindo novas tecnologias. Além disso, a Susep vem evoluindo o tema por meio de iniciativas estruturantes, como o sandbox regulatório, permitindo testes controlados, e o open insurance, que cria base de governança e compartilhamento de dados”, atesta Tabarez.
Ouvimos a Superintendência de Seguros Privados (Susep) que, em nota enviada à reportagem, argumenta o seguinte: “O uso mais amplo da IA traz uma série de desafios relacionados à governança, à dependência tecnológica, à explicabilidade dos modelos e à gestão de terceiros. Para seguradoras e corretoras, ganham relevância adicional os riscos associados à proteção de dados pessoais, ao uso responsável de informações sensíveis, à exposição a incidentes cibernéticos, além de riscos legais associados a erros no processo decisório automatizado delegado às IAs. A materialização desses riscos pode gerar impactos tanto em aspectos prudenciais quanto de conduta das supervisionadas, ocasionando eventuais não conformidades regulatórias.”

José Loureiro destaca alguns pontos de atenção importantes que estão relacionados à privacidade de dados, à transparência das decisões automatizadas, aos vieses algorítmicos e à segurança da informação. “No mercado de seguros lidamos com dados extremamente sensíveis. Por isso, o uso de IA exige forte aderência à LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados], à governança robusta e aos mecanismos claros de consentimento e de rastreabilidade das informações utilizadas pelos modelos. Outro ponto importante é quando a tecnologia produz respostas fora do contexto ou sem aderência às bases oficiais da companhia. Por isso, trabalhamos com guardrails e delimitações técnicas que garantem que os modelos utilizem apenas fontes autorizadas e confiáveis”, observa Loureiro.
A Susep, em nota, afirma que acompanha o desenvolvimento tecnológico e que vem agindo para adaptar-se a esse novo cenário apresentado pelo rápido avanço da IA: “Nesse sentido, na recente reestruturação da Susep, foi criado, por exemplo, um novo departamento dedicado a ações de SupTech (tecnologia de supervisão), dentro da Diretoria de Supervisão Prudencial (Disup), que tem entre suas principais metas a adoção de modelos e ferramentas de IA no processo de supervisão prudencial. Além disso, em outras diretorias da autarquia, apesar de ainda não haver uma área dedicada diretamente ao tema, já estão sendo desenvolvidos processos de trabalho que levam em conta a SupTech e demais usos de IA.”
As áreas do mercado segurador lideram a adoção (sinistros, fraude, pricing…) da IA já colhem frutos. Bernardo Carneiro diz que a adoção mais madura está atualmente em frentes com alto volume de interações e processos, como atendimento, produtividade comercial, backoffice, sinistros e fraude. São áreas em que a IA e a automação já mostram impacto claro em velocidade, escala, redução de retrabalho e qualidade da execução. Em pricing e subscrição, o potencial, frisa Carneiro, é “enorme”, mas a evolução tende a ser mais cuidadosa, porque envolve explicabilidade, governança e decisões sensíveis para o cliente.
“Na Icatu, temos exemplos concretos dessa aplicação. A AVI, assistente de IA para corretores, apoia a gestão da carteira e torna as interações comerciais mais rápidas e simples. Também somos reconhecidos pelo uso de RPA no backoffice. Nosso centro de excelência governa mais de 72 robôs, que processaram mais de 600 mil transações em 2025, acelerando fluxos e aumentando a consistência operacional. Em sinistros, a digitalização da jornada também reduz fricção e melhora o acompanhamento por clientes, beneficiários e corretores”, salienta Carneiro.
Os impactos mais mensuráveis aparecem principalmente em eficiência operacional e experiência do cliente, lista José Loureiro. Em sinistros, por exemplo, a automação da análise de avarias reduz o tempo de processamento e melhora a produtividade operacional. Loureiro prossegue afirmando que em atendimento, as soluções baseadas em linguagem natural e análise de sentimentos permitem interações mais rápidas, resolutivas e personalizadas.
Os projetos que conseguem escalar normalmente possuem três pilares muito claros, como explica Loureiro: qualidade de dados, integração com o negócio e mudança cultural. “A IA não pode ser tratada apenas como um experimento tecnológico. Os projetos mais bem-sucedidos são aqueles conectados a dores reais do cliente e da operação, com governança estruturada, objetivos mensuráveis e apoio efetivo da liderança. Outro ponto decisivo é a integração entre tecnologia, processos e pessoas. Escalar IA exige revisão de fluxos operacionais, padronização de dados e capacitação contínua das equipes. O principal desafio ainda está justamente na maturidade dos dados e na integração entre sistemas legados. Muitas organizações ainda possuem bases fragmentadas ou processos pouco estruturados, o que limita o potencial da IA em escala”, pontua Loureiro.
Tabarez, da Deloitte, argumenta que hoje já é possível ver um padrão muito claro no mercado: o desafio deixou de ser tecnológico e passou a ser estrutural e organizacional. Projetos que escalam normalmente têm, segundo ele, dados estruturados e governados; integração com processos de negócio; métricas claras de valor (ligadas ao P&L); arquitetura bem definida, com uso de bases de conhecimento confiáveis; governança e gestão de risco desde o desenho; bases de conhecimento bem estabelecidas (Knowledge base); problema de negócio bem definido e capacidade para repensar o trabalho e seus impactos após o uso da IA.
Por outro lado, iniciativas que não escalam costumam enfrentar, como os dois consultores argumentam, dados fragmentados; experimentação, ou seja, excesso de pilotos sem industrialização, o chamado “pilot purgatory”; falta de modelo operacional e de governança claro e, por fim, foco na tecnologia e não no problema de negócio e reestruturação do trabalho. “De forma cada vez mais evidente, há um fator crítico adicional, a necessidade de estruturar change management específico para o tema como parte central da adoção, pois requer uma mudança relevante na forma de trabalhar e passa por redefinição de papéis, revisão de processos ponta a ponta, novas dinâmicas de interação entre humano e tecnologia e capacitação contínua das equipes. Logo, capturar valor em escala passa necessariamente por essa transformação de mindset e modelo operacional, não apenas pela adoção da tecnologia”, abrevia o consultor da Deloitte.
Viés e transparência precisam ser tratados desde a concepção dos modelos e não apenas na etapa final, frisa Bernardo Carneiro. Isso, segundo ele, envolve qualidade e representatividade dos dados, critérios claros de uso, monitoramento contínuo e, sobretudo, capacidade de explicar como a tecnologia apoia determinadas decisões. “Em seguros, esse cuidado é essencial porque estamos falando de relações baseadas em confiança. Na Icatu, esse tema conecta-se a uma agenda mais ampla de governança de dados, privacidade e segurança da informação. Em 2025, conquistamos a certificação ISO 27701:2019 nas três linhas de negócio em que atuamos: seguro de vida, previdência e capitalização. A certificação reconhece a adoção de processos e controles robustos de gestão da privacidade, reforçando a transparência no tratamento das informações e a padronização dos nossos sistemas internos de governança”, lembra o executivo.
O combate ao viés começa pela qualidade e diversidade das bases utilizadas nos modelos, avalia José Loureiro. Além disso, como ele complementa, é fundamental que exista supervisão humana, monitoramento contínuo e critérios claros de governança.
*Entrevista originalmente publicada na Edição #319 da Revista Apólice.
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]]>The post Duplicata escritural deve transformar crédito corporativo appeared first on Revista Apólice.
]]>“Esse mercado envolve aproximadamente 1,5 milhão de empresas emissoras e mais de 18 mil grandes empresas sacadoras. Com a duplicata escritural, o mercado de recebíveis como garantia pode ser destravado, gerando a oportunidade de muitos títulos que hoje estão fora serem efetivamente negociados”, afirma Rodrigo Furiato, vice-presidente de Negócios da Núclea.
A interoperabilidade aparece unanimemente como elemento central para garantir confiança operacional, integração de sistemas e compartilhamento padronizado de informações entre instituições financeiras, empresas e registradoras.
Na avaliação do mercado, a duplicata escritural deve representar uma reconfiguração da infraestrutura do crédito corporativo brasileiro, criando um ambiente mais integrado, transparente e conectado, de acordo com a pesquisa.
A integração de tecnologias e a colaboração estratégica entre os participantes são apontadas por mais de 60% dos entrevistados como determinantes para esta nova fase do crédito empresarial “A interoperabilidade passa a ser uma camada central da nova infraestrutura do crédito corporativo. O mercado entende que o sucesso da duplicata escritural dependerá diretamente da capacidade de integração entre sistemas, registradoras, participantes e fluxos operacionais”, afirma Furiato.
O novo modelo permitirá que informações, antes dispersas, passem a circular de forma padronizada e interoperável, ampliando eficiência operacional e reduzindo assimetria de informações entre os participantes do sistema financeiro.
Preparação das Instituições Financeiras
O estudo mostra ainda que 82% das instituições financeiras entrevistadas (bancos, cooperativas de crédito e empresas de varejo financeiro) já tratam a duplicata escritural como um tema estratégico e possuem um roadmap estruturado ou em parte estruturado para implementação, com estratégias, investimentos e cronogramas definidos para atuação no novo modelo.
O dado sinaliza que a duplicata escritural deixou de ser vista apenas como uma exigência regulatória e passou a ocupar um papel relevante nas estratégias de crescimento das instituições, sendo percebida como uma oportunidade de expansão, modernização e aumento da competitividade no mercado de crédito corporativo.
Entre os entrevistados que citaram interoperabilidade em uma lógica negativa, o nível de preocupação aparece associado principalmente à liquidação, conciliação e testes operacionais.
Os dados também mostram que a percepção do mercado em relação à interoperabilidade está diretamente ligada à confiança operacional do novo modelo. A pesquisa aponta que integração, liquidação e conciliação devem concentrar as principais fricções da implementação, enquanto experiências anteriores, como o mercado de recebíveis de cartões, ainda influenciam a percepção de risco de parte dos participantes.
“A expectativa do setor é que a combinação entre tecnologia, interoperabilidade e dados estruturados amplie eficiência, aumente a competitividade e modernize o mercado de crédito corporativo brasileiro. A tendência é que a evolução aconteça de forma gradual, acompanhando o amadurecimento operacional dos participantes”, analisa Furiato.
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]]>The post Servidor é condenado por fraude de R$ 1,5 milhão em seguro appeared first on Revista Apólice.
]]>Pelo total de apólices simultâneas, a manobra gerou desconfiança das seguradoras e da Polícia Civil. As investigações e exames periciais revelaram que Gomes havia inventado a história para dar o “golpe do seguro”. A manobra resultou em condenação a 2 anos de reclusão por estelionato, em primeira e segunda instâncias. Ele foi intimado a iniciar o cumprimento da pena em maio após o caso transitar em julgado.
“O caso é um dos mais emblemáticos num mercado em que, só em 2024, contabilizou mais de R$ 1,1 bilhão de indenizações evitadas em golpes comprovados”, explica o advogado Adriano Scattini, da Advocacia Zacarelli, criminalista com 15 anos de atuação no combate aos golpes contra o mercado segurador, “o que que indica que é um mercado que demanda atenção jurídica e uma regulação de sinistro eficiente.”
Scattini foi um dos profissionais da Advocacia Zacarelli que auxiliou a polícia na elucidação do caso. O escritório representou todas as seguradoras envolvidas. “Foi difícil de acreditar que alguém amputou o pé a sangue frio”, ele diz, tratando-se de um caso inédito no Brasil.
O primeiro fato a chamar a atenção da equipe da Zacarelli foi a multiplicidade de apólices contratadas por um servidor público que não teria renda para pagá-las no longo prazo. Cada uma com uma empresa referência no setor. Ao todo foram quatro apólices contratadas. Somadas, elas garantiam indenizações de R$ 1,5 milhão em caso de invalidez decorrente de acidente.
Poucas semanas depois das contratações, surgiu a história de um assalto ocorrido na madrugada de 10 de julho de 2019, numa estrada vicinal do Povoado de Mercês, zona rural de São Gonçalo dos Campos (BA). O crime foi registrado como um assalto seguido de extrema crueldade. Não contente em roubar o servidor público, os ladrões ainda teriam dado golpes de um instrumento semelhante a um facão até amputar-lhe o pé direito.
O membro foi guardado em uma mochila, de Vando, e encontrado junto com os pertences que ele jurava terem sido roubados. O golpista foi socorrido, passou por atendimento e cirurgia. Dias depois, já se preparava para receber os cerca de R$ 1,5 milhão quando o volume de dinheiro e a quantidade de apólices acendeu o alerta do sistema de inteligência das seguradoras.
“Casos como esses são detectados porque as empresas operam de maneira integrada, que é o melhor meio de combater a epidemia de fraudes contra os seguros”, Scattini explica.
Uma equipe da Zacarelli foi para a Bahia, fez apurações paralelas e mobilizou as autoridades. Perícias médicas atestaram que a amputação do pé não poderia ter sido feita por golpes violentos num assalto.
“Quem ajudou o Vando tinha conhecimento de técnicas cirúrgicas, o que invalidou a versão de violência e do assalto”, explicou Scattini.
Condenação confirmada
Durante a investigação, a polícia e as seguradoras identificaram uma série de inconsistências na narrativa apresentada pelo servidor. Além da contratação simultânea de diversas apólices poucas semanas antes do episódio, chamou atenção o fato de a suposta vítima ter protocolado rapidamente pedidos de indenização e de não existir qualquer motivação plausível para um sequestro seguido de amputação sem exigência de resgate ou qualquer outra vantagem para os supostos criminosos.
A sentença de primeira instância concluiu que Vanderley planejou a fraude ao contratar os seguros e posteriormente apresentar a mentirosa história para receber as indenizações. O juiz destacou que a sequência de contratações, os valores incompatíveis com sua condição financeira e a proximidade temporal entre as apólices e a mutilação demonstravam a intenção deliberada de obter vantagem indevida.
Ao analisar o recurso da defesa, a Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia manteve a condenação por fraude para recebimento de indenização securitária. Os desembargadores consideraram robusto o conjunto probatório formado por laudos periciais, documentos das seguradoras, relatórios médicos e depoimentos colhidos ao longo da investigação e do processo.
Para Scattini, o caso demonstra a ousadia crescente das tentativas de fraude contra o mercado segurador e a importância da cooperação entre seguradoras, atuação multidisciplinar e autoridades públicas.
“Existe inteligência, cruzamento de informações e mecanismos capazes de identificar comportamentos suspeitos”, o especialista ressalta. “Foi isso que impediu que R$ 1,5 milhão fossem pagos indevidamente neste caso.”
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]]>The post Cartão do Porto Bank ganha visual inspirado na Copa do Mundo appeared first on Revista Apólice.
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. A iniciativa faz parte da campanha “Com Visa e Porto Bank É BOLA NA REDE!” e busca aproximar a marca do universo do futebol por meio de uma experiência visual voltada aos clientes.
O novo design está disponível para clientes com cartão Visa ativo desde o início do Mundial, disputado neste ano nos Estados Unidos, México e Canadá, e poderá ser utilizado até 31 de outubro.
Segundo as empresas, o card design foi desenvolvido como um elemento adicional de engajamento, especialmente para utilização em carteiras digitais (wallets). A proposta é associar funcionalidades do cartão a uma experiência temática durante o período da competição.
A iniciativa integra o ecossistema da campanha promocional lançada pelo Porto Bank e pela Visa, que também prevê premiações e experiências relacionadas à Copa do Mundo FIFA 2026
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]]>The post Prudential do Brasil nomeia Fabiano Vidal para diretoria de Novos Negócios Massificados appeared first on Revista Apólice.
]]>Com mais de 20 anos de experiência no mercado segurador, Fabiano está há seis anos na Prudential do Brasil. Antes de ingressar na área de Massificados, Vidal liderou iniciativas estratégicas e fortaleceu o relacionamento com clientes-chave na vice-presidência de Parceiras Comerciais, contribuindo para o crescimento e a diversificação do canal.
“Estou entusiasmado em dar continuidade a um trabalho voltado à expansão do acesso à proteção financeira no Brasil e impulsionar o crescimento da Prudential nesse segmento. Temos uma oportunidade relevante de levar nossas soluções a um público cada vez maior, por meio de novos modelos, soluções e parcerias”, afirmou o executivo.
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]]>The post Burocracia abre espaço para o crescimento do seguro fiança locatícia appeared first on Revista Apólice.
]]>O tema é um dos destaques da Semana do Seguro de Curitiba, que acontece entre os dias 14 e 20 de junho. A iniciativa é do Sindicato das Seguradoras do Paraná e de Mato Grosso do Sul (Sindseg PR/MS), em parceria com o Sindicato dos Corretores de Seguros do Paraná (Sincor-PR) e apoio da Prefeitura de Curitiba.
De acordo com os organizadores, nesse período acontecerá uma programação intensa de eventos e campanhas publicitárias buscando ampliar a cultura da proteção financeira e patrimonial na sociedade.
“A ideia é mostrar como os seguros podem evitar prejuízos capazes de comprometer o patrimônio, a renda e a estabilidade financeira de famílias e empresas”, explica Guilherme Bini, presidente do Sindseg PR/MS.
Quem já precisou alugar um imóvel sabe que encontrar um fiador nem sempre é uma tarefa simples. Além da necessidade de comprovação de renda e patrimônio, muitas pessoas enfrentam dificuldades para encontrar alguém disposto a assumir essa responsabilidade.
A diretora administrativa do Sindseg PR/MS, Luciana Sobreda, explica que o seguro fiança locatícia cresce como uma alternativa capaz de oferecer mais segurança ao proprietário e agilidade na contratação para o inquilino.
Segundo ela, além da garantia do pagamento dos aluguéis, as apólices podem contemplar encargos locatícios, multas contratuais e até danos causados ao imóvel. “Muitas seguradoras também oferecem serviços de assistência residencial, incluindo atendimento de chaveiro, eletricista, encanador e vidraceiro tornando o contrato de locação muito mais fluido e livre de conflitos”.
Atualmente, mais de 20 seguradoras atuam no Seguro Fiança Locatícia no país. O Sindseg PR/MS orienta que as pessoas evitem empresas que se apresentam como garantidoras, mas não tem autorização para atuar nesse segmento.
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]]>The post Susep e executivas do setor discutem agenda estratégica appeared first on Revista Apólice.
]]>Em sua quarta edição, o evento reúne lideranças femininas do mercado segurador e representantes da Susep para discutir temas considerados estratégicos para o desenvolvimento do setor. Também representaram a autarquia a ouvidora Aline Vieira, a coordenadora da Assessoria Técnica da Superintendência, Marcia Calvano, e a chefe de gabinete, Bruna Souza.
Durante o encontro, o Superintendente Alessandro Octavianidestacou a importância de espaços de diálogo entre regulador e mercado para o avanço de pautas relevantes para o setor. Entre os temas abordados estiveram: a regulamentação da Lei do Contrato de Seguro; seguro de vida universal; seguros e infraestrutura; Letra de Risco de seguros (LRS); seguro rural; resseguro; além dos trabalhos conduzidos pela Susep para o desenvolvimento de soluções voltadas à proteção da população diante de eventos climáticos extremos, incluindo o grupo de trabalho instituído pela Autarquia para discutir e propor recomendações relacionadas ao Seguro Catástrofe.
“O Brasil pode contar com a tecnologia securitária para ser um país resiliente e ter a sua população mais protegida, mas para isso teremos que ser capazes de criar as estruturas institucionais, de mercado e de uma política nacional de seguros privados”, disse Octaviani.
A CEO da Prudential do Brasil, Patrícia Freitas, ressaltou a importância do encontro como espaço de diálogo e construção conjunta entre o mercado segurador e o regulador. “Esta é mais uma agenda de escuta ativa, troca e construção conjunta por meio do diálogo e ação, essenciais para ampliar a proteção da sociedade e reiterar a relevância do seguro para o desenvolvimento do país”, afirmou a gestora.
A participação da Susep no encontro reforça a importância do diálogo com o setor e da presença feminina em posições de liderança no mercado segurador.
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]]>The post CSP-MG discute oportunidades do Seguro de Vida Empresarial appeared first on Revista Apólice.
]]>O evento contou com apresentações do gerente nacional comercial Vida PJ da Tokio Marine Seguradora, Lupercio Biscaro Neto; da superintendente comercial Vida da companhia, Rosangela Spak; do superintendente comercial da CAPEMISA Seguradora, Eremar Moraes Viana; do gerente de Produto Vida Coletivo e Individual da Porto, Antônio Pereira; e do head de Negócios Estratégicos do PASI, Marcelo Reis.
Ao longo do simpósio, os palestrantes ressaltaram a necessidade de ampliar a conscientização de empresários e colaboradores sobre a importância do Seguro de Vida Empresarial, especialmente entre as pequenas e médias empresas, que representam a maior parte dos negócios brasileiros.
Representando a Tokio Marine, Rosangela Spak afirmou que o Seguro de Vida em Grupo precisa ser visto como uma ferramenta estratégica para as organizações. Segundo ela, além de oferecer proteção financeira aos colaboradores e suas famílias, o produto contribui para a retenção de talentos, fortalece as práticas de gestão de pessoas e agrega valor aos programas de benefícios corporativos.
“O seguro de vida precisa deixar de ser visto como custo e passar a ser percebido como uma solução estratégica para as empresas. Além de proteger pessoas, ele fortalece a retenção de talentos, contribui para a sustentabilidade dos negócios e agrega valor aos colaboradores”, argumentou.
Na mesma linha, Lupercio Biscaro Neto chamou atenção para a necessidade de as empresas protegerem seu principal patrimônio: as pessoas. “As empresas investem em tecnologia, equipamentos e infraestrutura, mas muitas vezes deixam de proteger seu ativo mais importante, que são as pessoas. O Seguro de Vida Empresarial é uma ferramenta fundamental para preservar esse patrimônio humano e financeiro”, ressaltou.
Outro tema abordado pelos representantes da companhia foi a entrada em vigor das novas exigências relacionadas à saúde mental no ambiente corporativo, previstas na atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Os especialistas observaram que o mercado segurador já dispõe de soluções capazes de auxiliar as empresas na gestão dos riscos psicossociais e no cuidado com os colaboradores.
Durante sua apresentação, Eremar Moraes Viana, da CAPEMISA Seguradora, ampliou a discussão para a proteção dos empresários e a continuidade dos negócios familiares. O executivo salientou que muitas empresas dependem diretamente da atuação de seus fundadores e que a ausência de planejamento pode comprometer a sobrevivência do negócio.
“Quando falamos de seguro de vida, falamos de proteção familiar e continuidade de sonhos. No ambiente empresarial, essa proteção também garante a perpetuidade dos negócios e a segurança financeira de colaboradores e famílias que dependem daquela empresa”, assegurou. Eremar também alertou para o amplo potencial de crescimento do mercado, especialmente entre micro e pequenas empresas, e reforçou a importância do corretor como agente de conscientização junto aos empresários.
O executivo Antônio Pereira, da Porto, apresentou dados que evidenciam a baixa penetração do seguro entre os brasileiros e classificou o Seguro de Vida Empresarial como “porta de entrada” para a proteção securitária. “Mais de 80% da população brasileira ainda acorda sem qualquer proteção securitária. O Seguro de Vida Empresarial é, para muitos brasileiros, a primeira oportunidade de acesso a essa proteção e representa um importante instrumento de inclusão securitária”, apontou.
Pereira também enfatizou a necessidade de ampliar a oferta de coberturas utilizadas em vida, como doenças graves, invalidez, assistência psicológica e telemedicina, reforçando o papel consultivo dos corretores na construção de soluções mais adequadas às necessidades de cada empresa.
Encerrando o ciclo de apresentações, Marcelo Reis, do PASI, trouxe uma reflexão sobre a evolução do conceito de proteção no mercado segurador. Segundo ele, o desafio atual vai além da indenização e passa pela construção de uma relação contínua de cuidado com o segurado.
“O seguro não começa no sinistro, mas no cuidado. A indenização é apenas uma etapa final; o mais importante é oferecer uma proteção que acompanhe as pessoas em todos os momentos da vida”, frisou. O executivo acrescentou que ampliar a proteção da sociedade significa tornar o seguro mais presente no cotidiano das pessoas, por meio de soluções que entreguem valor antes mesmo da ocorrência de um evento coberto.
Após as palestras, os especialistas participaram de um debate mediado pelo diretor do CSP-MG, Maurício Tadeu Barros Morais, com a participação do presidente da entidade, João Paulo Moreira de Mello. Durante a discussão, os integrantes da mesa responderam às perguntas do público presente e dos internautas, que acompanharam a transmissão pelo canal do CSP-MG no YouTube.
Ao avaliar os resultados do simpósio, Mello afirmou que o encontro alcançou plenamente os resultados esperados. “O objetivo do evento foi totalmente cumprido. Todos concordam que é preciso aumentar a proteção da sociedade. Esse é um ponto em comum entre as empresas e profissionais aqui presentes. Esse desafio passa necessariamente pelo fortalecimento da atuação do corretor de seguros e pela qualificação contínua desse profissional. O corretor precisa estar preparado para orientar, conscientizar e levar proteção a cada vez mais pessoas e empresas”, salientou.
Morais reforçou a importância do conhecimento como ferramenta de transformação para o mercado. “O conhecimento transforma. Se você não tem conhecimento, dificilmente conseguirá resultados diferentes daqueles que já alcançou até agora. Nossa missão é compartilhar experiências, provocar reflexões e estimular mudanças que contribuam para a evolução das pessoas e dos negócios. Continuaremos trabalhando juntos nesse propósito”, concluiu.
O simpósio contou ainda com a participação da presidente do SindSeg MG/GO/MT/DF, Andréia Padovani, e do presidente do Sincor-MG, Gustavo Bentes, que prestigiaram o encontro e reforçaram a importância da integração entre as entidades representativas do setor.
Ao final do evento, a palavra foi cedida ao presidente do Sincor-MG, que aproveitou a ocasião para divulgar o projeto Cidades Protegidas e convocar os corretores a participarem ativamente das iniciativas promovidas pelas entidades do setor. Em sua manifestação, mencionou a importância da capacitação contínua dos profissionais, incentivando a adesão aos treinamentos, eventos e demais ações voltadas ao fortalecimento da categoria.
A série “Como aumentar a proteção da sociedade” terá continuidade no dia 22 de julho, quando o CSP-MG realizará o terceiro simpósio com o tema “Vida Individual”. O evento reunirá especialistas da MAG Seguros, MBM, Zurich e SulAmérica para discutir tendências e oportunidades do segmento.
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]]>O movimento acompanha o aumento da demanda por proteção especializada para esse segmento. Em 2025, o Seguro Vida Eventos, da Capemisa Seguradora, registrou alta superior a 30% nos prêmios emitidos, refletindo a ampliação do calendário de atrações culturais, corporativas e de entretenimento em diferentes regiões do país, com destaque para as festas juninas. Esse crescimento também foi impulsionado pela atuação dos corretores de seguros, que passaram a identificar novas oportunidades de negócios a partir do portfólio da companhia para eventos. Ao ampliar sua oferta de soluções aos clientes, esses profissionais fortalecem sua presença no segmento e expandem sua base de relacionamento.
“Em eventos com grande concentração de público, o planejamento de proteção precisa ser tão estruturado quanto a própria operação. O Seguro entra como um instrumento essencial para dar respaldo às decisões e garantir segurança para todos os envolvidos”, afirma Fabio Lessa, Diretor Comercial da Capemisa Seguradora.
Com o foco em proteção de pessoas para situações temporárias, o Seguro Vida Eventos oferece, por exemplo, cobertura para acidentes pessoais envolvendo público e equipes de trabalho, contemplando garantias como Morte Acidental, Invalidez Permanente e Despesas Médicas, durante a realização do espetáculo. Dependendo das características da operação, a solução pode ser complementada por outras modalidades voltadas à gestão de riscos.
“Os festejos juninos movimentam milhares de pessoas e exigem uma preparação cuidadosa por parte dos organizadores. Participar dessa estrutura de proteção significa contribuir para que as celebrações aconteçam com tranquilidade, permitindo que o público aproveite cada momento com mais segurança”, destaca Denise Lima, executiva do escritório da seguradora na Paraíba.
A parceria entre as duas empresas tem ampliado a presença da proteção dos seguros em algumas das principais atrações do calendário paraibano, fortalecendo uma cultura de prevenção em eventos que reúnem grandes públicos e possuem operações cada vez mais complexas.
“Nosso trabalho é construir soluções adequadas à realidade de cada evento, considerando suas características e necessidades específicas. A confiança depositada pelos organizadores ao longo dos anos demonstra a importância de um planejamento consistente para que essas celebrações ocorram de forma segura e organizada”, afirma Charles Lindbergh, diretor-presidente da Sercosi Corretora de Seguros.
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]]>Embora a presença do prefeito Ricardo Nunes estivesse prevista inicialmente, ele foi representado durante a cerimônia pelo secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, Marcos Monteiro, e pelo secretário municipal das Subprefeituras, Fabricio Cobra Arbex. Já durante o painel de debates, a representação da administração municipal ficou a cargo da secretária municipal das Subprefeituras, Tatiana Robles.
O principal resultado do projeto é uma plataforma tecnológica que cruza bases de dados públicos e modelos de risco para identificar áreas mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, permitindo direcionar políticas públicas e investimentos de maneira mais estratégica.
Ao abrir o evento, a presidente do SindsegSP, Patrícia Chacon, lembrou que o próprio propósito do ecossistema segurador é cuidar das pessoas, do patrimônio e das cidades. No entanto, diante do aumento dos eventos climáticos extremos, tornou-se necessário ampliar esse papel. Ela recordou que o mercado já participa do processo de recuperação por meio das indenizações e das assistências prestadas aos segurados após um desastre, mas destacou que a oportunidade agora é atuar antes mesmo que os prejuízos aconteçam.
Durante sua apresentação, Patrícia explicou que a ideia nasceu de uma conversa com Roberto Santos, presidente do Conselho Diretor da CNseg, sobre como o conhecimento acumulado pelas seguradoras poderia contribuir para tornar as cidades mais preparadas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
Ao longo do último ano, representantes da sindicato conheceram de perto a operação da Prefeitura de São Paulo, incluindo os sistemas de monitoramento climático, a gestão dos piscinões, os centros de controle e as equipes responsáveis pelas respostas emergenciais. Em contrapartida, apresentaram ao município como funciona a modelagem de riscos utilizada pelo mercado segurador e de que forma esses dados poderiam ser aproveitados na gestão pública. “Quando colocamos essas informações juntas nasceu uma plataforma tecnológica capaz de mostrar, por quadrantes da cidade, onde estarão os maiores riscos dos eventos climáticos, considerando não apenas o patrimônio, mas também escolas, hospitais e a população”, destacou.
Para Patrícia, o objetivo é fazer com que São Paulo evolua de um modelo focado apenas na reconstrução após os desastres para uma estratégia baseada na prevenção e no planejamento.
Responsável pela elaboração técnica do projeto, o CEO da Guy Carpenter Brasil, Pedro Farme, explicou que um dos maiores desafios foi adaptar uma metodologia tradicionalmente utilizada pelo mercado segurador para atender às necessidades do poder público. Segundo ele, enquanto as seguradoras normalmente analisam perdas econômicas e financeiras, o estudo buscou traduzir esses modelos para avaliar impactos sociais e urbanos. “Construir um modelo voltado para o poder público foi um dos principais desafios. O grande diferencial foi conseguir medir os impactos sociais e compreender como esses eventos afetam diretamente a vida das pessoas”.

Outro aspecto destacado pelo executivo foi a opção por não utilizar apenas históricos de sinistros pagos pelas seguradoras como base para o estudo. Em vez disso, a equipe optou por trabalhar com informações sobre exposição da cidade, permitindo que regiões menos seguradas ou populações mais vulneráveis também fossem consideradas.
Para isso, foram integradas bases públicas do GeoSampa, IBGE, Receita Federal, universidades e centros meteorológicos, além de informações obtidas junto à própria Prefeitura. Todo o modelo foi desenvolvido especificamente para o Brasil, sem adaptações de sistemas estrangeiros.
O resultado é uma plataforma capaz de simular diferentes cenários de risco e projetar como determinadas intervenções, como construção de piscinões, implantação de galerias de drenagem ou criação de áreas verdes, podem reduzir a vulnerabilidade de regiões específicas.
Durante a apresentação técnica, Farme revelou que a cidade foi dividida em quadrantes de um quilômetro quadrado para análise inicial, embora a plataforma permita detalhamento ainda maior. O estudo considera cinco grandes pilares: infraestrutura social, educação, saúde, mobilidade e logística, atividade econômica e vulnerabilidade social.
A partir dessa metodologia, é possível identificar quantos hospitais, escolas, centros de assistência, empresas ou áreas de circulação estariam sujeitos a impactos severos em caso de eventos extremos. Entre os resultados apresentados, a análise indica que dezenas de milhares de estudantes, milhares de leitos hospitalares e centenas de milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade encontram-se em áreas classificadas como de risco elevado para alagamentos em cenários extremos.
O levantamento também aponta que, em um evento equivalente ao registrado no Rio Grande do Sul em 2024, considerado estatisticamente um fenômeno de recorrência centenária, os danos materiais apenas na cidade de São Paulo poderiam alcançar bilhões de reais.
As projeções tornam-se ainda mais preocupantes quando incorporados cenários de aquecimento global de 2°C, hipótese na qual as perdas estimadas praticamente triplicam. “O dinheiro investido em prevenção evita múltiplos gastos com reconstrução. Cada real destinado à mitigação pode representar uma economia muito maior no futuro”, observou Farme ao apresentar os resultados.
Representando o prefeito Ricardo Nunes, o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, Marcos Monteiro, ressaltou que a cidade já desenvolve uma série de ações voltadas à adaptação climática.
Entre elas estão o Plano Diretor de Drenagem, o Plano Municipal de Redução de Riscos, investimentos em contenção de encostas, canalizações, proteção de margens de rios e construção de reservatórios para retenção de águas pluviais. Monteiro informou que mais de R$ 10 bilhões já foram aplicados nessas iniciativas desde 2021, enquanto o orçamento climático da Prefeitura contempla aproximadamente R$ 30 bilhões distribuídos entre diferentes projetos relacionados à sustentabilidade e à resiliência urbana.
O secretário destacou ainda o funcionamento do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), responsável pelo monitoramento em tempo real das condições meteorológicas da cidade por meio de radares, sensores e sistemas digitais.
Na avaliação dele, o compartilhamento de dados com o setor segurador tende a tornar ainda mais eficiente o planejamento das intervenções públicas. “O acesso a essas informações permitirá aperfeiçoar nossos critérios técnicos e tornar ainda mais assertiva a priorização das obras de maior impacto para a cidade”.

Também representando a Prefeitura, o secretário municipal das Subprefeituras, Fabricio Cobra Arbex, detalhou o conjunto de medidas executadas para reduzir os impactos provocados pelas mudanças climáticas.
Ele destacou o reforço das equipes de zeladoria responsáveis pela limpeza de galerias, córregos e bocas de lobo, além da realização de obras corretivas em sistemas antigos de drenagem espalhados pela capital. Fabricio lembrou ainda que São Paulo conta atualmente com 58 reservatórios de contenção em operação, além de oito em construção e outros seis em fase de licitação.
Outro eixo importante envolve investimentos ambientais, como a ampliação da frota de ônibus elétricos, projetos voltados ao aproveitamento energético de resíduos sólidos e ações de arborização urbana. Segundo o secretário, aproximadamente 170 mil árvores foram plantadas apenas no último ano, enquanto áreas verdes protegidas passaram a representar cerca de 26% do território do município.
Durante o painel que encerrou o evento, mediado pela conselheira de sustentabilidade Denise Hills, o debate girou em torno da necessidade de integrar esforços entre iniciativa privada e poder público.
Tatiana Robles destacou que preparar uma metrópole do porte de São Paulo para enfrentar eventos extremos representa um desafio complexo justamente porque envolve competências compartilhadas. Na sua visão, nenhuma instituição é capaz de enfrentar sozinha os impactos das mudanças climáticas. “É um problema de todos nós e só vamos conseguir resolvê-lo se atuarmos juntos”, firmou.
Ela ressaltou ainda que uma das principais contribuições do estudo está na geração de novos dados capazes de revelar riscos que até então recebiam pouca atenção, como os chamados corredores de vento responsáveis pelo aumento de quedas de árvores em diferentes regiões da cidade. “A cidade sempre se preocupou muito com enchentes e alagamentos, mas agora percebemos que existem novos desafios que também precisam ser enfrentados” lembrou.

Uma das falas mais fortes durante o debate ocorreu durante a participação do presidente do Conselho Diretor da CNseg, Roberto Santos. Ao analisar a iniciativa, ele afirmou enxergar uma mudança histórica no posicionamento do mercado segurador. “Pela primeira vez vejo o segurador sair de uma posição reativa para uma atuação verdadeiramente proativa”, pontuou.
Proteger não significa apenas indenizar prejuízos depois que eles acontecem, mas utilizar conhecimento técnico e inteligência de dados para evitar que os danos ocorram. “O seguro vende proteção. E proteger prevendo é algo muito mais avançado”, frisou Roberto Santos.
Roberto defendeu ainda uma aproximação maior entre governos e mercado segurador para ampliar políticas de prevenção e chamou atenção para a necessidade de incorporar a educação ambiental à formação da sociedade. “Assim como discutimos educação financeira, também deveríamos falar em educação ecológica. Tudo começa pela educação”.
Ao longo das apresentações, diversos participantes ressaltaram que São Paulo se torna pioneira ao utilizar uma ferramenta desse porte construída em parceria com o setor segurador. Para Patrícia Chacon, o projeto demonstra que a colaboração entre iniciativa privada e administração pública pode produzir soluções concretas diante de um problema que afeta toda a sociedade.
Na avaliação da presidente da entidade, fortalecer a resiliência climática significa preparar pessoas, empresas e governos para responder de forma mais eficiente aos desafios que já fazem parte da realidade brasileira. “A preocupação é da população, é do mercado de seguros e é do governo. Por isso, esse tipo de parceria tem potencial para transformar a realidade e garantir que o Brasil esteja cada vez mais protegido”.
Nicholas Godoy, de São Paulo
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